
Psicólogo
Gilmar Miranda


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Em uma sociedade, constituída por muitos indivíduos carentes de afeto e de vazio emocional é comum presenciar relacionamentos cheios de conflitos, de desrespeitos, de abusos nos limites, de excesso de controle, ameaças, medo e agressões. Menos de amor, sentimento substituído pelo receio do abandono.
Aliás, se existe amor, não há sofrimento. Não se sofre por amor, sofre-se pela decepção.
Amar é deixar o coração livre para escolhas, algo impensável para um opressor, que faz da sua vítima, escrava do seu poder opressivo.

FIQUE ATENTO!
Os relacionamentos tóxicos se caracterizam por comportamentos inadequados e hostis, onde um dos integrantes da relação, oprime o outro, incentivando a culpa, desvalorizando como pessoa, destruindo a autoestima, a ponto da vítima, a pessoa oprimida, negligenciar o seu próprio bem-estar físico e emocional.
Essa vítima vai perdendo, ao longo dessa relação disfuncional, a sua autoconfiança, a sua segurança e o amor-próprio, fazendo-a se sentir inútil e incapaz de gerir a própria vida.
Com isso, o medo do abandono e de não saber administrar a sua vida financeira e emocional, faz com que se desenvolva uma dependência, promovida pelo temor e o pavor pelo desamparo.
Há uma passividade, frente as agressões verbais e físicas sofridas. A autoestima negativa e o ambiente conflituoso e de hostilidades, traz consequências à saúde mental/emocional da vítima, com o aparecimento de quadros de ansiedade e depressão, prejudicando ainda mais, a sua relação com o meio em que vive.
Existe todo um ritual que o agressor vai colocando em prática, para aprisionar a sua vítima e minar a sua vitalidade. Isola-a do seu convívio social e familiar, impede de ter atividades de lazer, de frequentar a casa dos pais ou de amigos, impede a sua própria manutenção financeira, sabotando e exigindo que pare de trabalhar fora, com justificativas baseadas em ciúmes, sempre fazendo críticas destrutivas e recusando dar apoio.
O agressor também usa de manipulações emocionais, não permitindo que a vítima cuide da sua aparência, que tenha desejos ou vontade própria, controlando excessivamente e com autoritarismo desde a roupa que veste, até a maneira de se comportar e pensar.
A manipulação é de tal ordem, que após as brigas, discussões e agressões, o opressor consegue distorcer a realidade e convencer que a vítima é a culpada por ele agir assim. Se vitimiza e chega ainda a pedir perdão pelo seu comportamento abusivo e agressivo. E na sua fragilidade emocional, a vítima aceita.
Não é improvável, que muitas vezes o agressor tenha um distúrbio psiquiátrico, o que dificulta ainda mais a tomada de decisões e assumir posições assertivas e de bom senso.
Quem está de fora, não entende do porquê a vítima não rompa com esse ciclo de dor e é fácil julgar e achar soluções.
Para quem sofre esses abusos, esse ciclo de dor começou bem antes dessa união. Começou na infância e um olhar mais atento vai descobrir que essa falta de amor-próprio e de sentido de vida, proporcionou um vazio existencial que a vítima procurou preencher, quando escolheu se relacionar com o seu agressor. Que antes era visto como o seu salvador, aquele que iria lhe fazer feliz pelo resto da vida.
CAUSAS QUE LEVAM A UM RELACIONAMENTO TÓXICO
Você já deve ter ouvido falar de codependência. Se não, vou lhe apresentar e você vai entender o porquê de ela estar por trás dessa escolha tóxica e abusiva para um relacionamento.
Erroneamente, se liga codependência somente a dependência química. Acha-se que somente familiares de alguém que usa drogas ou bebida alcoólica, tem esse “rótulo”.
Não, o dependente químico, antes de tudo, também é um codependente, buscando preencher o seu vazio emocional com a droga/bebida.
A codependência também é chamada hoje, de dependência afetiva ou emocional ou ainda de “criança interior ferida”.
Independente da classificação são pessoas com baixa autoestima, que acreditam precisar se apoiar ou depender de alguém, para ocupar e cuidar do seu vazio de afeto. São as futuras vítimas.
É uma busca desenfreada por amor e a carência afetiva é tão grande, que se julgam incapazes de serem felizes, sem depender de alguém e por isso, se sacrificam para ajudar, cuidar, tomar conta, deixando de viver a própria vida.
Por isso, as suas escolhas para relacionamentos são de pessoas carentes, que acredita estarem prontas para serem “acolhidas” e cuidadas.
Se tornam presas fáceis dos agressores, que sabem manipular, bajular e tratar com carinho hoje a sua “salvadora”, preparando-a para ser a sua vítima amanhã.

Codependência é uma compulsão a relacionamentos, igual a alguém que usa droga compulsivamente. Tem a obsessão (pensamentos em controlar o outro), a compulsão (a ação de tentar ter o controle do outro em um relacionamento) e até uma crise abstinência, quando procura romper com a relação. Passa um tempo, tem sentimentos desconfortáveis pela falta do outro e se não estiver em tratamento, volta para o relacionamento abusivo. Recomeça o ciclo codependente de dor e sofrimento.
Codependência ou dependência afetiva/emocional, é uma síndrome complexa, composta por um conjunto de sinais e sintomas, que incapacita a pessoa na sua vida pessoal, social e profissional.
Ela se desenvolve em indivíduos, que viveram na infância, uma exposição prolongada a um ambiente, diga-se família, hostil emocionalmente ou até física, com regras excessivamente controladoras, sem poder manifestar ou expor os seus sentimentos e onde não havia reconhecimento e manifestação de amor.
A criança não era ouvida, sentia a ausência da presença efetiva dos pais, não era acolhida e não se promovia o desenvolvimento da autoestima e segurança por parte dos responsáveis.
Desprovida de afetos e “invisível” para os pais, essa criança desenvolve comportamentos e papéis para que se sinta ouvida e valorizada e tenha o seu espaço dentro da família de origem. De certa forma, sente estar no controle.
Gratificada pelos ganhos, leva para a vida adulta esses comportamentos que vão influenciar nas escolhas afetivas. Só que fora da família, esses ganhos secundários não se repetem e começam as malogradas tentativas de repetir o passado, que só geram frustrações e desânimos.
Diz-se de ambientes hostis, aqueles em que há uso de drogas/álcool por familiares, onde há falta de diálogo e de amor, onde são constantes as discussões, brigas e agressões entre pai/mãe, uma frequente ausência paterna/materna, além de restrições em expressar sentimentos, uma educação rígida e autoritária, religiosidade austera, funções familiares negligenciadas (não exercer o papel correto de ser pai ou ser mãe), são alguns dos itens que compõem esse quadro caótico.
Nessa busca frenética por autoestima, que não conseguiu receber de forma adequada na infância, se envolve em relacionamentos frustrantes. Tudo é extremo, sem limites, carregados de sentimentos negativos como vergonha, culpa, raiva e ressentimentos.
Não vive a realidade, se abastece de pensamentos mágicos. Também sabem manipular, se fazendo de vítimas para controlar.
Distorcem tanto a realidade, que o fato de serem oprimidas, de sofrerem com o ciúme doentio e as restrições e até com as agressões, acham que são amadas, um jeito estranho e doentio dessas vítimas se sentirem desejadas e valorizadas.
Existe tratamento para esses comportamentos disfuncionais, mas é preciso se comprometer e vivenciar as mudanças.
Caso contrário, o ciclo da dor vai continuar a girar e cada vez mais rápido.